Source: DetroitBr

 
 

Conheça a mente criativa e empolgada de Traumer

O DJ francês, que vem ao Brasil para os 4 anos do detroitbr e mais duas datas, conversou conosco e contou fatos interessantes sobre sua vida e carreira

No próximo sábado, 11/11, o detroitbr celebrará 4 anos decorridos desde que sua ideia fora concebida e sua evolução e proliferação iniciada. Para tanto, está sendo organizada a maior festa da história do coletivo: o Galera’s Beach Bar foi escolhido tanto pelo cenário paradisíaco da Praia Brava como pela capacidade do salão superior, ambiente aonde será montada a pista de dança que receberá o francês Traumer, grande atração da festa.

Pra aquecer os ânimos e colocar todo mundo na mesma sintonia convidamos Bernardo Ziembik, nosso residente e fã incondicional do cara, para fazer uma entrevista com ele. Para nossa grata surpresa as respostas demonstraram um artista sincero, empolgado e um tanto louco – exatamente o que esperamos de alguém que vai tocar por 4 horas em um importante capítulo de nossa história.

Entrevista

Bernardo: Olá Traumer, antes de qualquer coisa, eu gostaria de dizer que é uma grande honra pra mim fazer esta entrevista. Eu sou um grande fã da sua música desde quando ouvi seu lançamento pela Desolat, que acredito que o introduziu massivamente no mercado da música eletrônica. Você poderia nos falar um pouco sobre este trabalho e que influências você teve naquele tempo?

Traumer: Olá, a parte engraçada é que eu não tinha a Desolat em mente quando produzi a track. Para ser bem honesto, eu nem estava certo sobre a faixa Hoodlum e ao mesmo tempo eu ainda estava no meio das coisas diferentes que eu vinha testando, se eu queria fazer techno ou house no meu projeto Traumer. Naquele tempo o projeto Romain Poncet ainda estava sendo concebido e eu ainda estava testando as coisas.
Então eu fiz algumas músicas inspiradas em techno, com alguns cortes apoiados em house como Hoodlum ou Insola. Eu me lembro que uma manhã o meu agente da época me ligou e me disse, “Boas notícias, você vai lançar um EP pela Desolat” – eu obviamente disse que estava bem feliz em ouvir esta notícia mas também não conseguia entender como era possível. Ele me disse que havia enviado previamente todos meus materiais para a Desolat e eles gostaram tanto que decidiram que eles tinham músicas suficientes para fazer um EP duplo. Aqui está a história :)

B: Nós podemos dizer que a identidade de Traumer mudou desde então, enquanto Romain Poncet se aproximou mais do som do DeDust EP. Além desses dois alter-egos, você já assinou faixas como Poncet Family, Möd3rn, Sergie Rezza, Adventice e RedSpecs. Nos diga como você administra todos esses projetos e qual a diferença entre eles!

T: Você está absolutamente certo sobre o som de DeDust. Eu realmente tenho outros projetos mas vou deixar você encontrar eles por si mesmo… Sobre essa “esquizofrenia”, administração da multi-personalidade da minha identidade: eu realmente não sei como eu faço isso pra ser honesto. Mas o que eu posso dizer é que tendo tantas identidades diferentes é a minha forma de me manter inspirado. Isso me permite nunca cair no tédio, porque uma vez que estou entediado fazendo techno por exemplo, eu apenas me movo naturalmente para o house, depois para o ambient, depois minimal etc. Essa esquizofrenia artística “controlada” (não estou tão certo se é mesmo controlada haha) mantém o ciclo criativo em movimento perpetuo, tudo está sempre zumbindo em minha cabeça. Também, se eu tivesse que analisar objetivamente essa necessidade de fazer malabarismos com diferentes projetos, psicologicamente, eu pensaria que é também uma forma de me tranquilizar. Eu posso ficar um pouco ansioso com relação ao futuro algumas vezes – ter todos esses projetos talvez seja minha maneira de criar diferentes finais e saídas de emergências pra mim…?

B: Algo que me impressiona nas produções do projeto Traumer são suas referências tribais e percussivas. Você poderia nos falar um pouco sobre sua formação musical, quem ou o quê te inspirou em sua carreira?

T: Eu não tive nenhum treinamento musical formal, eu não toco piano ou qualquer outro instrumento. Eu estou apenas ajustando. Eu comecei a fazer música no computador quando eu tinha 14 anos e eu acredito que esse é o meu instrumento. O computador me permite curtar, colar, mover, fatiar, truncar, desacelerar ou acelerar qualquer fonte de áudio, e é isso que eu gosto de fazer. Muitas pessoas me inspiraram ao longo dos anos e são tantos, mas tantos que continuam me inspirando, que eu não vou fazer uma lista pois sempre esqueço alguns, e também porque essa lista seria tão grande! Eu obtenho minha inspiração de tantas coisas diferentes, mas eu acho que no final eu tenho a maioria das minhas ideias enquanto estou viajando e das gigs em que eu toco. É importante ouvir os DJs que tocam antes ou depois de você.

B: A festa na qual você vai tocar celebra 4 anos da fundação do detroitbr, um projeto underground que é parte de uma onda que está mudando a forma como os brasileiros interagem com a música. Como a cena da França é bem mais desenvolvida, fico curioso sobre o que está acontecendo aí agora. Como estão as coisas? Quem são os “sangues-frescos” que fazem você acreditar no futuro da cena musical do seu país?

T: Como você disse, as coisas estão se desenvolvendo bem aqui – em termos de evento ficou um tanto enorme, e é o mesmo em várias cidades, não somente Paris. Mas também há muitos grandes artistas aqui na França que continuam elevando os níveis, em diferentes estilos de música eletrônica. Eu estou pensando em gente como Varhat, Lazare Hoche, Cesar Merveille (ele mora em Berlim, mas ainda assim é um grande artista francês), Antigone, DJ Deep, Molly, Seuil só pra nomear alguns dos amigos mais estabelecidos (eu tenho que dizer que sempre esqueço vários nomes – eu realmente não gosto de listar assim). Mas a chave para o desenvolvimento está acontecendo nas comunidades na internet. Eu estou pensando nos grupos de Facebook nos quais música é compartilhada, como o grupo “Beau Mot Plage”, aonde você pode encontrar músicas absolutamente incríveis que você nunca ouviu antes. Eu acho que a França está se desenvolvendo bastante por este desenvolvimento ser global, ele vem dos artistas estabelecidos aos novatos, dos promoters ao público e à super-ativa comunidade na internet.

B: Suas última tour brasileira teve gigs em festivais, agora você volta para três noites em clubs. Quais são suas expectativas para a tour dessa semana?

T: Festivais significam menos tempo de set, então nem sempre temos tempo para nos expressar. Tocar em clubs significa o oposto e essa tour é definitivamente o caso. Eu vou tocar no mínimo duas horas em todos os lugares que irei, o que é ótimo. Então, eu espero me conectar mais com a multidão e ir mais fundo musicalmente… Se você quiser me ver na vibe de festival, irei para Lima (Peru) para tocar no Get Out Festival e Cordoba (Argentina) para pegar o palco no Riot no fim de semana depois do Brasil.

[ENG]

Hi Traumer, first of all, I would like to say that it is a great honor for me to do this interview. I’m a great fan of your music since I heard your release on Desolat, which i believe it introduced you massively into the electronic music market. Could you tell us a little about this work and what influences you had from that time? 

 

Hello !

First of all, the funny thing is that I wasn’t making music with Desolat in mind. To be very honest, I was not even sure about the track ‘Hoodlum’ and at the same time I was still struggling myself, stuck between whether I wanted to be making techno or house with my “Traumer” project. PONCET’s project has only just been conceived and I was still looking for my own sound with both monikers (I still do – and I’ll maybe carry on like this for ever, who knows). So I made a bunch of “techno” infused tracks around that time, with some more house-leaning cuts like ‘Hoodlum’ or ‘Insola’.

I remember one morning my agent back then called and told me, “Good news, you’re releasing an EP on Desolat” – I obviously said I was very happy to hear this news but also couldn’t quite understand how could it could be possible. He told me that he sent all my new materials to Desolat and they so into it that they had enough songs to make a double EP. Here you have the story J

 

 

We can say that Traumer’s identity has changed since then, while Roman Poncet became closer to the Dedust EP’s sound. Beside these two alter-egos, you already signed tracks as Poncet Family, Möd3rn, Sergie Rezza, Adventice and RedSpecs… Tell us how do you manage your aliases and the difference between them?

 

You absolutely right regarding “DeDust” sound. I’ve actually got more aliases but I’ll let you find them out by yourself…

Regarding this “schizophrenic”, multi-personality management of my identity: I don’t really know how I do it to be honest. But what I can say is that having many different identities is my way of keeping myself inspired. It allows me to never fall into boredom, because once I get bored making techno for example, I just move naturally into house, then into ambient, then minimal, etc. This “controlled” (not sure if it’s actually controlled haha) artistic schizophrenia keeps the creative cycle perpetually moving, everything is always buzzing inside my head. Also, if I had to objectively analyse this need to juggle multiple projects, psychologically, I would think that it’s also a way to reassure myself. I can be a bit anxious about the future etc sometimes – and having all of these projects is maybe my way to create lots of different endings and emergency exits for me…?

 

Here in Brazil people started to become aware of your music after you played at TribalTech Festival in 2015. I was there and remember the party had a lot of complications, specially because of the rain, but despite this, the vibe was amazing and your set was one of the most commented of the Festival. Tell us how the feeling was from the other side of the stage…

 

As you said – there was complications for sure hehe – I remember there was a huge puddle right in the front-middle of the dancefloor, which meant that no one was dancing in this area, so when I arrived on stage and I saw this, it threw me a bit. I was afraid of the vibe and how I could make people dance in such a weird/difficult situation. I think it took me maybe 45 minutes to feel myself into it and especially to feel the people being into my music – at least that was what I thought – maybe they were into it sooner or later –  but in the end, I think both sides had a good time, and that is all that counts at the end of the day.

 

 

Something that amazes me in Traumer’s productions are your tribal and percussive references. Can you tell us more about your musical formation, who or what inspired you during your career?

 

I don’t have any formal musical training, I can’t play piano or any other instruments. I’m just tinkering. I started making music on the computer when I was 14, and I think that this is my “instrument”. The computer allows me to cut, paste, move, slice, truncate, slow down or pitch up any audio sources, and this is what I like to do. Many people inspired me over the years and there are many, many who continue to inspire me, I will not make a list as I always forget some, and also because the list would be way too long! I get my inspiration from a lot of different things, but I think in the end – I mostly get ideas while traveling and from the gigs I play. It’s important to listen to the DJs who play before and after you.

 

The party you are going to play on Saturday celebrates 4 years since the foundation of Detroitbr, an underground project that is part of a wave that is changing the way brazilians interact with electronic music. Since France’s scene is way more developed, it makes me curious about what is happening there now. How are things over there? Who are the fresh blood that makes you believe in the future of your country’s music scene?

 

As you said things are developing very well here – event-wise it has become quite huge, and it’s the same in a lot of cities, not just Paris. But there’s also a lot of great artists here in France who keep pushing the levels up, in different style of electronic music. I’m thinking of people like Varhat, Lazare Hoche, Cesar Merveille (he lives in Berlin, but still it’s a great French artist), Antigone, DJ Deep, Molly, Seuil to name just a few of the more established peeps (I have to say I always forget a lot of names – I really don’t like listing like this). But the key area of development is happening within the communities on Internet. I’m thinking about the Facebook groups where music is shared, like “Beau Mot Plage” group, where you can find absolutely amazing tunes you never heard before. I think France is developing a lot because this development is global – it comes from the established artists, to the newcomers – from the promoters to the public and the buzzing, super active community on the web.

 

Let’s talk a bit about Gettraum: what is the label’s purpose? Can you give us some information about its future and the artists you intend to release?

 

The purpose is very simple: to release my own music the way I want to do it. Gettraum is my personal endeavour. It could have some other artists on the roster in the future but only as remixers or as a collaboration perhaps. The fourth release came back in stock last month, there are a few copies left here and there https://youtu.be/UaR3rEsgMrU and you can expect Gettraum 05 to drop early next year. Other stuff to have on your radar includes, a collab EP with Lazare Hoche coming out on the latter imprint, another collab with Point G due out on Infuse, and EPs for All Inn and Berg Audio labels, plus a couple of remixes for BMP in between other bits…..

 

Your last brazilian tour had festival gigs, now you come back for three club nights. What are your expectations for this week’s tour?

 

Festivals mean shorter set times : so not always really enough time to express yourself. Playing in clubs can mean the opposite, and for this tour that is definitely the case. I’ll be playing more than two hours at least everywhere I go, which is great. So, I expect to connect more with the crowd and go deeper music-wise… If you want to catch me in the festival vibe, I will be heading to Lima (Peru) to play Get Out Festival and Cordoba in Argentina) to hit the stage at Riot The Weekend after Brazil….